AMHMG — Associação Médica Homeopatia de MG

PERICORONARITE: UMA ABORDAGEM HOMEOPÁTICA


Dra. Wania Trajano

Cirurgiã - Dentista

Especialista em Homeopatia

 

A pericoronarite é um episódio agudo que se localiza geralmente na região dos molares, preferencialmente em terceiros molares inferiores. Inicia-se durante a erupção desses dentes, provocada pela ruptura dos tecidos gengivais (gengiva de erupção). Devido á dificuldade para higienização e a consequente proliferação bacteriana, o espaço entre a coroa dental e a margem gengival fica predisposto à infecção localizada. Com isso, a gengiva, que ainda recobre o dente (capuz pericoronário) se inflama, aumenta de volume e tamanho e passa a ser macerada durante a oclusão. O paciente pode apresentar dor intensa que se reflete no ouvido e cabeça, trismo e disfagia. Outros sintomas: febre, linfoadenopatia e mal-estar. O tratamento convencional consiste em eliminar quaisquer detritos alimentares da região irrigando-a com soro fisiológico, água oxigenada e efetuando jateamento com bicarbonato de sódio. Segue-se a orientação de higienização específica, prescrição medicação anti-inflamatória sistêmica ou antibiótica, no caso de febre.

Segundo Kossak, as manifestações agudas são geralmente consequência de exacerbação da psora latente. Os periódicos retornos agudos caracterizam a origem psórica e representam as doenças de origem infecciosa ou aparentando como tais, na tentativa de levar o organismo a um equilíbrio melhor que o anterior. Ainda que o organismo se beneficie pela descarga exonerativa aguda, pode se ressentir dinamicamente, não justificando conduta de espera. Por outro lado, a prática clínica evidencia que os tratamentos esporádicos e exclusivos de episódios agudos, mesmo quando não conseguem conduzir o organismo á cura definitiva, reduzem a intensidade das exacerbações miasmáticas.

É necessário, na abordagem homeopática do agudo, termos uma relação dos medicamentos de maior tropismo por aquela determina alteração, bem como habilidade e agilidade, de forma a obter os sintomas mais característicos e modalizados do paciente.

Em nossa prática clínica iremos da mesma forma intervir no sentido de higienizar a região afetada, porém utilizando fitoterápicos diluídos em água bidestilada como medida profilática. Dependendo do estado em que se encontra o paciente e do grau de intensidade de seu sofrimento, é que iremos selecionar o medicamento mais indicado. Nos casos de trismo e limitação de abertura da boca, ás vezes, é difícil até o acesso para efetuar os procedimentos locais necessários. Cuprum metallicum, Nux vômica e Hypericum poderão ser de grande auxílio neste obstáculo inicial. No estado congestivo, com edema, dor e dificuldade de engolir, a indicação de medicamentos como Belladonna, Ferrum phosphoricu, Apis e Aconitum se faz necessária. Phytolacca deve ser lembrada pela sua ação predominante nas mucosas, fáscias e envoltórios de músculos e periósteo. Sua indicação nas gengivites por distúrbios eruptivos é importante, bem como nos seguintes sintomas: deglutição difícil com dores irradiadas para os ouvidos, prostração e desejo irresistível de apertar as gengivas.

Pela similitude anatomopatológica, podemos utilizar uma série de outros medicamentos: Silicea, Magnésia carbônica, Fluoric acidum, Calcarea carbônica, Arsenicum album, Hecla lava. O bioterápico Pyrogenium ser prescrito nos casos de febre e adenopatia.

A forma líquida, as baixas dinamizações e o método “plus” são os escolhidos para este tipo de intervenção. Após debelada a fase aguda, segue-se em busca do medicamento constitucional do paciente.


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